PROJETO - CONTEXTO SÓCIO ECONÔMICO E AMBIENTAL REGIONAL


A fazenda está inserida no município de Niquelândia, ao norte do estado de Goiás, conforme ilustrado no mapa 3.

 

Mapa 3 - Inserção de Niquelândia no Estado de Goiás

Localização de Niquelândia - GO

Localização de Niquelândia

14° 28' 26" S 48° 27' 36" O

Fonte: Wikipédia (consulta em 2006)

 

O município de Niquelândia, anteriormente denominado São José do Tocantins, tem uma população estimada de 37.456 habitantes (censo IBGE 2004) e se tornou conhecida por suas jazidas de Níquel. O município surgiu nos anos subsequentes à chegada dos bandeirantes a Goiás, com a descoberta do ouro e guarda uma rica história colonial, como parte de um conjunto de povoados auríferos nas cabeceiras do rio Tocantins, como Traíras, Água Quente e Muquém, sede de famosa romaria. A extração de ouro foi substituída pela de níquel e a cidade perdeu quase todo seu patrimônio arquitetônico, mas retoma sua importância socioeconômica como pólo de apoio turístico numa das pontas do lago de Serra da Mesa. O acesso ao município pode ser feito por asfalto a partir de Uruaçu (GO), na Belém-Brasília. Por terra, chega-se a Colinas do Sul, depois Alto Paraíso e dali, por asfalto, ao Distrito Federal (Fonte: Wikipédia).

 

As principais informações sobre o município, contidas no Atlas de Desenvolvimento Humano no Brasil (PNUD 2000), estão sintetizadas a seguir:

Área: 9.879,0 km² / IDH: 0,739

Densidade Demográfica: 3,9 hab/km²

Altitude da Sede: 583 m

Ano de Instalação: 1.833

Distância à Capital: 259,3 km

Microrregião: Porangatu

Mesorregião: Norte Goiano

PIB: R$ 492.338,00 (IBGE/2004)

PIB per capita: R$ 13.144,00 (IBGE/2004)

 

Historicamente Niquelândia vem sofrendo um processo de urbanização. O Quadro 1 ilustra o processo entre 1991 e 2000. E em números absolutos, a população foi reduzida por um movimento de emigração.

 

Quadro 1:

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2000.

 

Com esse movimento de emigração da população adulta, a taxa de natalidade diminuiu (conforme demonstrado no quadro 2).

 

Quadro 2:

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2000.

 

A educação no município vem se aprimorando progressivamente, mas ainda não é satisfatória, uma vez que a população jovem (de 14 a 17 anos) ainda apresenta uma taxa de analfabetismo em mais de 20% (quadro 3). Esse dado é um indicador da evasão escolar, à partir desta faixa etária, provavelmente impulsionada pela necessidade precoce de ingressar na vida profissional.

 

Quadro 3:

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2000.

 

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH-M) do município de Niquelândia, neste mesmo período, cresceu 21,35%, passando de 0,609 em 1991 para 0,739 em 2000 (quadro 4). A dimensão que mais contribuiu para este crescimento foi a Educação, com 42,3%, seguida pela Longevidade (35,6%) e pela Renda, com 22,1%. Neste período, o hiato de desenvolvimento humano (a distância entre o IDH do município e o limite máximo do IDH, ou seja, 1 - IDH) foi reduzido em 33,2%. Mantida esta taxa de crescimento do IDH-M, o município levaria 9,8 anos para alcançar São Caetano do Sul (SP), o município com o melhor IDH-M do Brasil. Segundo a classificação do PNUD, o município está entre as regiões consideradas de médio desenvolvimento humano (IDH entre 0,5 e 0,8).

 

Quadro 4:

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2000.

O quadro 5, a seguir, sintetiza os indicadores de renda, pobreza e desigualdade no município.

 Quadro 5:

Fonte: Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil, 2000.

 

Segundo dados coletados no site do IBGE, as atividades socioeconômicas locais se baseiam, predominantemente, na lavoura (banana, café, côco, palmito, cana-de-açúcar e soja), na pecuária (principalmente bovinos incluindo, também, suínos e eqüinos), sendo a produção de aves também elevada na região. A silvicultura é dirigida para a produção de lenha.

 

O Cerrado tem sido foco, nos últimos anos, do desenvolvimento turístico (principalmente Ecoturismo), que surge como uma das principais alternativas para a conservação deste ecossistema. Pela característica de sua cobertura vegetal e relevo, de árvores e arbustos de porte reduzido, de casca grossa e caules retorcidos, entremeados por campos de gramíneas, a observação de animais é facilitada, o que reafirma o potencial turístico da região. Neste contexto, merecem destaque, para estratégias turísticas, os veados-campeiros, porcos do mato, lobos, tatus, tamanduás, tucanos, codornas, emas, seriemas, gaviões, falcões, entre outros. Vale ressaltar a importância da região em termos da diversidade natural e exuberância de paisagem, com inúmeras atrações turísticas como cachoeiras, vales, serras, fazendas.

 

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (PNCV), segundo dados da Wikipédia, foi criado em 1961 e protege uma área de aproximadamente 65 mil hectares do Cerrado de altitude. No parque são observadas diversas formações vegetais, centenas de nascentes e cursos d água, rochas com mais de um  bilhão de anos, além de paisagens de rara beleza, com feições que se alteram ao longo do ano. O PNCV está localizado no interior da Chapada dos Veadeiros, tornando-se a grande âncora do turismo e da proteção do cerrado. Além do parque, há na região uma Área de Proteção Ambiental (APA) - de Pouso Alto - criada pelo decreto n° 5.419, de 07 de maio de 2001, com 872.000ha, incluindo os municípios de Alto Paraíso, Cavalcante, Teresina de Goiás, Colinas do Sul, São João d'Aliança e Nova Roma.

 

Segundo informações extraídas do site do IBAMA, o PNCV está localizado ao Nordeste do Estado de Goiás, no centro da Chapada dos Veadeiros, a 260 km de Brasília e a 480 km de Goiânia, incluindo parte nos municípios de  Cavalcante (60%) e Alto Paraíso (40%), onde se situa a Vila de  São Jorge, local de entrada dos visitantes . Na área do PNCV existem antigos garimpos, parte da história local. Foi declarado  Patrimônio Mundial Natural em 2001 pela UNESCO. Além da conservação, o Parque tem como objetivos a pesquisa científica, a educação ambiental e a visitação pública.

 

Toda Chapada dos veadeiros é um importante centro dispersor de drenagem, com a maioria de seus rios escavando vales em forma de "V". Entre esses rios, o principal é o rio Preto, afluente do Tocantins, que forma em seu curso belas cachoeiras, como a da Base do Salto, com 80 metros de altura. O solo do Parque é relativamente pobre e raso, com alguns trechos de maior profundidade às margens dos rios. A vegetação predominante é a savana, ou cerrado, que se apresenta sob várias espécies de gramíneas. Na parte sem floresta-de-galeria têm destaque o pau-terra-vermelha e lixeira, além de murici-rói-rói, caju-do-campo e mandioqueiras. Segundo informações do site, a fauna local é bastante variada, sendo destaques: o Lobo-Guará (Chrysocyon brachyurus) e o Veado - Campeiro (Ozotocerus bezoarticus). Das 312 espécies de aves podemos citar a Ema (Rhea americana), o Urubu-Rei (Sarcoramphus papa) e várias espécies de gaviões, entre os quais o Brites (leucovihous). Das 30 espécies endêmicas de aves ocorrentes no Cerrado, 13 estão no Parque e 8 são ameaçadas de extinção. O Pato-Mergulhão (Mergus Octocetaceus), raríssimo, inclui o Parque em sua rota migratória e o usa para procriação. Entre as aves, algumas espécies importantes são observadas: tucano-de-bico-verde, ema urubu-rei e urubu-preto.

 

Esta região constitui, portanto, área focal de desenvolvimento de estratégias regionais para conservação do cerrado, o que torna a Fazenda Meia Noite uma área privada de grande importância nesse movimento, por estar situada no entorno do Parque.

 

Além do Ecoturismo, o turismo cultural vem também crescendo na região. Da mesma forma, a enigmática região de Alto Paraíso, por suas características geológicas, vem atraindo também pessoas interessadas no "esoterismo", a partir de sua descoberta por grupos hippies e alternativos em 1964, atraídos pelo magnetismo de toneladas de cristais que repousam nestas terras e energizam esta fatia do Estado de Goiás. Na década seguinte, este santuário ecológico e místico, que abriga dezenas de canyons, exuberantes cachoeiras, piscinas de águas naturais, minas cristalinas e uma fauna e flora ainda quase intocada pelo homem viraram habitat de grupos exóticos e alternativos. Religiosos, filósofos, ufólogos e seguidores de seitas esotéricas instalaram mais de 40 comunidades espiritualistas, que recebem vibrações do paralelo 14, o mesmo que atravessa a lendária cidade Inca de Machu Pichu, no Peru.

A visita ao Parque Nacional oferece oportunidades de  contemplação e convivência com a natureza da Chapada dos Veadeiros. Já ao longo da  estrada de acesso (GO-239), vale observar o Morro da  Baleia no km 18 e as Veredas  do Jardim de Maytréia (km20). Por sua vez na GO-118 avista-se o ponto mais alto de Goiás (1676 m) no mirante do Pouso Alto.

 



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